terça-feira, 5 de junho de 2018

Sem comentários


"Eu tenho algo a dizer..." 
- Racionais MCs, em Voz ativa.

Um grito no vazio, poderia ser este o título. Há quase dez anos escrevo, tenho este hábito, que me faz muito bem. Muitas linhas aqui neste espaço desde 2010. Sinal de que, como os Racionais, eu tenho algo a dizer. Rs. A questão aqui é... alguém me escuta? Melhor seria, sou lido? O número de visitas, a meu ver significativo, pode até indicar que sim. Mas, pela ausência de manifestações destes tantos visitantes, nota-se ser um coletivo, digamos, silencioso.
No início deste blog eram bem comuns os comentários nos textos, diferentes posts de leitores a cada publicação, principalmente de amigos, familiares, com opiniões, elogios, me incentivavam a escrever e tal, e no decorrer do tempo até surgiram comentários de pessoas que não conhecia pessoalmente. Mas, hoje em dia, infelizmente, sem comentários. 
Para quem escreve não há nada melhor que receber um retorno. Sabe-se lá o motivo, talvez por perceber-se ouvido, compreendido. Aceito, quem sabe. Acompanhado. Querido. Receber este tipo de feedback, no meu caso, incentiva-me muito a continuar escrevendo. Como não tenho me sentido muito inspirado ultimamente, seria perfeito. 
O último comentário que tive a honra de receber em um texto aqui no blog, salvo engano, data de 2016. Pois é.
Caro irmão e cara irmã, eu peço, se me deu a honra de ler algum texto, e aí eu já agradeço, e se gostou, ou mesmo se não gostou, por favor, poste um comentário. 
Talvez, na data de hoje, meu aniversário, alguém me traga este presente. Será? 
Seja bem vindo! Abraço!



quinta-feira, 31 de maio de 2018

Quase grito

Foto: Waldir C. Marinho

em dias como o de hoje
em que a inspiração não vem
pergunto o que me mantém
a insistir nestes escritos
expondo o que acredito
mesmo que nada bonito
como agora eu quase grito
eu que já fui mais amor
mais ardor, tesão, paixão
o senão, qual que será?
que me impede derramar
como outrora aqui meu eu
o meu ser e meu estar?
que se deu? quem saberá?
a vontade que se esvai
é distância de meu Pai?
pode ser o fim talvez
mas mesmo assim desta vez
aquilo que se desfez
ora intenta retornar
não do jeito que queria
algo finda de alegria
tampouco a antiga magia
mas o peito ainda urge
pois afinal eis que surge
nesta tarde amarga e fria
em meio a vãos pensamentos
tantos descontentamentos
esta simples poesia




segunda-feira, 30 de abril de 2018

Percalços


Foto: Waldir C. Marinho

Percalços, que ocorram. 
Sabes bem deles, já os conhece. 
Fizeram parte, até aqui, e outros virão. 
Valorizaram mais a caminhada. 
Mas a tal caminhada foi fundamentada por valores. 
Desistir destes, isso sim é que é difícil. 
Seria como desistir de si mesmo.




sábado, 3 de março de 2018

Toque


Foto: Waldir C. Marinho
Era bem cedo, aqueles momentos do nascer do dia, mágicos, em meio a quase silêncios, em que a névoa irradia os primeiros raios e a natureza a dialogar conosco com suavidade, delicadeza, sussurros. Colinas verdejantes aos poucos desnudadas pela luz nascente. O ar fresco a me acarinhar através da janela do meu carro, sons, imagens, sentires. Ouvia um CD do grupo Boca Livre, lindo, e lá no meio de tudo uma canção me surpreendeu. Bastaram os primeiros acordes. Só de escrever agora e a emoção ressurge. Se a sanfona chora eu canto, canto de coração... Ah, naquele dia, naqueles momentos, como chorei. De lá do interior de São Paulo, na estrada rumo à Sorocaba, em um frio início de manhã, as notas arrebataram-me, transportaram-me, a meu pai.

Em alguns momentos em nossas vidas sentimentos nos brotam sem que saibamos bem o motivo. Emoções que parecem irromper no peito sem muitas explicações. Trazidas à tona por estímulos, nem sempre imediatamente identificáveis. Por palavras, quem sabe por odores, sabores, sons... Elementos que parecem nos remeter talvez a nosso passado, a instantes de ternura impregnados em nós, que se conectam a nossa essência de uma forma inexplicável, mas drástica, a ponto de trazer uma emoção, uma lágrima, ou várias, à superfície. Isso acontece comigo normalmente ouvindo música. Basta um trecho, por vezes algumas notas. Não é frequente, mas marcante.

Fico imaginando, para estas pessoas, que conseguem provocar este tipo de sensação, como já provocaram comigo, que benção. Artistas, escritores, músicos, poetas. Arautos da divindade.

Escrevo. Coisas simples, mas sinceras. Quem sabe minhas palavras possam, um dia, fazer este bem a alguém, trazer esta conexão. Despertar emoções como as que já tive. Alcançar a sensibilidade de outrem. Que seja uma única vez. Promover este suave, toque, n'alma. Talvez seja pretensão. Prefiro chamar de esperança.






domingo, 4 de fevereiro de 2018

Cilada

Foto: Waldir C. Marinho
Um mês se passou e quando me dei conta nada publiquei no blog. Não que isso tenha tanta relevância pelo tempo decorrido, afinal já fiquei em outras ocasiões sem postar por bem mais tempo, mas é que nesta situação de agora eu já estava com um texto pronto, escrito há um tempão, e simplesmente deixei passar. Mas ok, publicarei mês que vem.
O motivo deste "deixar passar" é que eu quero aqui enfatizar.
Uma absurda instabilidade interna, desequilíbrio, até espiritual talvez, um mal estar impossibilitando tranquilidade até para tomar um café em paz mesmo nos finais de semana. Quadro motivado por um dia a dia profissional conturbado. Noutro dia comentei com um amigo, brincando - Se eu infartar um dia destes já sabes o motivo. Brincadeiras à parte...
Alguém merece isso? Eis a reflexão. Porque chegamos a este estado de coisas? Sei que não é exclusividade minha.
Cobranças, ok. Metas, correto. Prazos todos temos. Mas ter que lidar com desrespeito, dissimulação, ironia, sarcasmo, desonestidade? Valores tortos presentes em muitas empresas motivados sei lá porque. Pessoas que atropelam outras sem medir o dano. 
Onde a camaradagem, a solidariedade? 
Cadê a compreensão, a amizade? 
Por onde estará o espírito de equipe na busca conjunta de objetivos comuns?
Ah, por favor. O ser humano precisa sair desta cilada. Desta busca perene pelo "bem estar" próprio em detrimento do outro. Sei que acaba sendo algo motivado por este dia a dia competitivo, o ambiente corporativo insano, desemprego desenfreado, falta de perspectiva, falta de dinheiro, contas que vencem. 
Rolo compressor. Trator passando por cima de todos.
Sei não, precisamos de um basta. 
Estamos enlouquecendo. 






domingo, 24 de dezembro de 2017

Hoje

Foto: Waldir C. Marinho
hoje acordei leve
e vi o mundo 
em comunhão com meu vibrar
o ar mais puro
os passos mais firmes
o peito sereno
os fatos com mais significados
até as sombras me pareceram belas
as pessoas mais queridas
mais amor
hoje sorri para a vida
e ela me retribuiu 
com mil afagos
bençãos recebi
tantas cores percebi
sabores, perfumes, saudades 
hoje consegui ver as árvores
e ouvir os passarinhos
pude sentir o sol nascente
olhar adiante
e contemplar o horizonte 
iluminado e feliz




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Ah, Deus meu

Foto: Waldir C. Marinho

Ah, Deus meu, Deus meu. Desculpe-me. Pelo que nem sei. Só sei que se senti esta necessidade. De diálogo, de proximidade. As lágrimas que quase rolam assim o comprovam. Onde estás bem sei. Em tudo, em todos. Onde estou eis a questão. Complexo, viver. Não posso assim me sentir, não há vazio, há amor. Ah como há. Não me sinto vão. Não me sinto à deriva. Tenho que me lembrar sempre disso e esta conversa me ajuda. Sei que aí estás e que sua condução é eterna. Quero descansar em ti, assim como dizem muitos irmãos. Descansar em ti. Sabes o que fazes comigo. Sei de minhas responsabilidades, sabes bem. Mas por vezes, por vezes, é bom descansar um pouco. Permita-me, só um pouquinho. Conduza-me. Te amo. Amém.



domingo, 15 de outubro de 2017

Amado irmão

Foto: Waldir C. Marinho

Anjo querido que me guia
Vem em minha companhia
Na medida do meu merecer
Preciso muito de você

Tanto erro, caro amigo
Ainda assim insistes comigo
Na luta intensa de todo dia
Construindo a futura alegria

Quero um dia te abraçar
Com lágrimas no olhar
Frente a frente amado irmão
Trazer-te ao meu coração 





segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Um passo pra trás


Foto: Waldir C. Marinho
Nem sei porque estou tão incomodado se estou sentado, desta vez consegui. Não encontro posição para apoiar a cabeça, queria tirar um cochilo. Dormi tão pouco nesta madruga. Muita gente de pé, o maior aperto. Um garoto com fones cantarola desafinado, me incomoda. Mas coitado, só com música mesmo pra ir levando. Duas adolescentes trocam palavras, reclamam dos seus trabalhos. Com esta crise, gente, melhor reclamar não. Está todo mundo sendo dispensado, ontem lá na firma foram mais dois. E quem continua, se entreolhando, calado. Se bem que falaram que tudo ia ficar bom, certo? E no Jornal Nacional os números da economia estavam melhores. Foi o que disseram. "Um passo pra trás por favor", diz o condutor. Rá, até parece. Cochichos, bufadas, reclamações. Um cabra enorme lá no meio empaca pior que jumento e não dá nem meio passo. Fica represando o pessoal apertado entre ele e a catraca. Ninguém tem coragem de falar com o cara, que continua parado. Talvez seja a forma dele de reagir ao sistema. Talvez esteja desempregado. Ou o seu patrão o oprima, normal. Ou quem sabe aquele tal presidente esteja mexendo nos seus direitos trabalhistas, consolidados há séculos, vai saber. Cada qual com seus problemas. E aí o cara responde assim à vida, não quer dar o passo pra trás. A maioria, mesmo incomodada, acaba cedendo. Mas tem gente que é igual a este cara, resiste. Ao menos tenta. Afinal quem gosta de dar passos pra trás, né? Se bem que às vezes é inevitável. E assim vamos seguindo no buzão superlotado. É nóis.




sábado, 5 de agosto de 2017

Obrigado

Foto: Waldir C. Marinho

obrigado
por me encontrar
por se arriscar
por abrir mão de si
por apostar tão alto
e se aproximar de mim
lá onde eu estava
um tanto disperso 
no meu canto

obrigado
por ser assim tão linda
entregue
próxima
amorosa
calorosa
conectada
ligada em mim

obrigado
por estar junto
pela companhia
pela alegria
pelo futuro à frente
pelo nosso amor
pelo nosso filhinho
lindo
pelos corações
em uníssono

obrigado
por me fazer perceber
querido
amado
desejado

obrigado
por me fazer sentir
um homem
com H mais que maiúsculo
em caixa alta
altíssima

obrigado
por me mostrar capaz de um monte de coisa que não fazia idéia
por fazer minha auto estima ir lá em cima
por me amar assim desta maneira
meio louca
impensada
intensa
sem medir consequências

obrigado 
por abrir-me sua casa
sua família
seu coração

escrevo em lágrimas

te amo