quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ela é demais


Foto: Waldir C. Marinho


Ela é inteligente, espirituosa, alegre, divertida.
Damos muitas risadas juntos.
Com ela converso sobre música, futebol, filosofia, sobre um monte de coisa.
Ela tem uma visão parecida com a minha sobre religião e religiosidade.
Eu e ela vemos o mundo de forma semelhante.
Ela gosta muito de ler, eu também, conversamos bastante sobre literatura, adoramos visitar livrarias e ver as novidades.
Nós dois gostamos de diversas coisas em comum.
O tipo de filme que ela mais gosta é drama, outro dia conversamos a respeito e eu acabei chegando à conclusão que essa também é minha primeira opção.
Ela se interessa por política e eu também, mas eu estava meio afastado, só que ela está me fazendo pensar diferente e voltar a me interessar e a cobrar de mim mesmo uma postura política mais atuante.
Eu adoro estar na companhia dela, muito mesmo.
No último domingo ao vê-la do outro lado da rua esperando para atravessar e encontrar comigo, com um presente na mão para me dar, eu não resisti e as lágrimas rolaram. 
Acho que ela nem viu, eu enxuguei o rosto e quando ela se aproximou de mim eu procurei disfarçar a emoção.
Ela tem 12 anos, e eu a amo.



domingo, 7 de agosto de 2011

Dom


Foto: Tatiana Girotto


nascente
fértil
brota
pinga
corrente
flui
batiza
irriga
leva
corre
vai

o chão
infiltra
habita
aduba
germina
cria
sacia
ajuda
das nuvens
nasce
cai

na pele
emana
limpa
banha
o que ora
n'alma
aflige
arranha
acalma
foge
sai

dos olhos
morna
escorre
filtra
a dor
no peito
amarga
aflita
transforma
morre
esvai

sutil
matéria
leve
pura
é vida
mar
beleza
cura
milagre
dom
do Pai



domingo, 17 de julho de 2011

Sem burocracia!


Foto: Waldir C. Marinho


Estava eu num restaurante japonês ali na Av. Brig. Faria Lima, São Paulo. Meu sunomono tinha acabado de chegar, delícia.
Então sentaram umas meninas na mesa de trás, tagarelando. Bem, na verdade era quase um monólogo, eu ouvia muito mais a voz de apenas uma delas, e ela falava sobre o namorado. E nossa, como a menina falava.
Chegou o shimeji, ótimo.
E a menina a falar. Bem, dizer que apenas falava é simplificar a coisa, ela parecia tentar descrever uma espécie de mapa da alma do namorado dela, algo assim. Rs. Coitado. O namorado dela isso, o namorado dela aquilo, etc. A orelha do rapaz nem devia mais estar vermelha, como dizem, devia estar roxa, rsrs, de tanto que a menina falava dele.
O garçom trouxe meu temaki skin, com molho tarê, oba.
Tem gente que não sei como consegue comer de tanto que fala no restaurante, era o caso da menina. Se ela tivesse mais idade eu diria que era psicóloga, psiquiatra, terapeuta, vidente, sei lá o que, ela enxergava tanta coisa nas atitudes do namorado, que o cara não se importava com ela porque outro dia ele demonstrou certo “ar” de nem sei bem o que diante de uma situação, ela viu na expressão dele, etc.
Humm, adoro todos os sushis com salmão skin, com bastante tarê, ou teriaki, como queiram. Chegou um monte, delícia.
Eu comendo, a menina falando. Rs. E ela tinha certeza que o namorado ainda sentia alguma coisa pela ex namorada dele, porque ela viu que ele apresentou uma reação tal diante de alguma coisa que eles viram numa livraria, num shopping, caramba como essa menina conseguia enxergar aquilo tudo? Fiquei imaginando ela e o namorado juntos, será que ela tagarelava assim com ele, ou faziam outras coisas também? Rsrs.
Outro temaki, de Salmão, adoro.
E a menina dizia que percebeu alguma coisa, que nem lembro bem, num simples olhar que o namorado deu para a mãe dela, ei minha filha deixa o cara ser feliz! Seja feliz você também! Fiquei com pena do rapaz sem nem conhecê-lo, imaginei, rindo, se ele tinha a mínima idéia de como a namorada dele o examinava, analisava, dissecava, sei lá como descrever aquilo. E ainda contava tudo para a amiga dela. Rsrs.
Chegaram os sashimis, todos de salmão, claro, que beleza.
Do jeito que a menina conduzia o “diálogo” com a amiga imagino como seria uma conversa com o namorado. Em dado momento eu me vi já torcendo para o rapaz se livrar daquela verdadeira mala, rsrs. A menina falava do namorado de uma forma, coitada dela também, mas como tem gente que gosta de complicar as coisas. Todo mundo está nesta vida no mesmo barco, com dificuldades, problemas, prazeres, alegrias, vamos simplificar mais as coisas gente! Era até difícil pensar em outros assuntos, meus pensamentos eram conduzidos pela conversa da mesa de trás. Rs. Pedi a conta, paguei, fui embora, e a menina continuou lá, falando, falando, falando.

Ah, por favor, eu não tenho vocação pra ser tema de tese de mestrado! Minha linda, vem aqui dar um cheiro, deixa eu te apertar forte, agora! Sem burocracia, quero que me ame, pô!



quarta-feira, 6 de julho de 2011

Tia linda


Foto: Waldir C. Marinho


Oi tia linda.
Lembra que eu te chamava assim, tia linda? Cheguei a te deixar algumas mensagens no Orkut desta forma. Rs. 
Lembrei agora que fui eu que criei o seu perfil. Com aquela coisa toda de separação, minha, sua também, isso foi há uns dois anos, resolvi criar um perfil pra mim no Orkut e fiz um pra você também.
Nossa, as lembranças são muitas.
Pois é, tia, eu acordei hoje com uma sensação muito estranha, aí resolvi te escrever. Foi agorinha mesmo, meu celular me acordou, bem cedo, me avisando que hoje é uma data muito especial. Estava lá escrito na agenda do celular, apareceu na tela pra me lembrar. Nunca tive uma sensação assim antes.
Fiquei triste. Aliás estou agora mesmo segurando as lágrimas. Desculpe, tia, mas é assim mesmo, creio.
Está tudo bem contigo, tia? Espero que sim.
Não te chamava de tia linda à toa, sabe, nem sei se você tinha noção na época. Nossa, linda mesmo.
Sabe um dos momentos que mais gosto de lembrar? Quando nós saímos à noite, naquele bar na Lapa. Eu, você e a prima, os três em meio a processos de separação. Foi a primeira vez que eu saí depois de ficar solteiro novamente, você praticamente me convocou. Rs. Nós rimos muito, muito mesmo. Parecia uma noite de caça às bruxas. Rsrs. Foi uma noite inesquecível.
Saudades, tia.
Vai ser difícil ficar sem pensar em você hoje.
Foi muita dor, agora percebo, tia, muita dor, não é mesmo? Ninguém percebeu isso. Aliás acho que algumas pessoas até perceberam, mas ninguém talvez tenha te compreendido totalmente. Refletindo sobre aqueles dias, penso que eu poderia ter te compreendido mais. Acho que eu seria capaz disso, acho até que te entendia bastante. Mas do que adianta agora pensar nisso, se na época não me aproximei? Se não tentei te ajudar? Se priorizei outras coisas? A vida, a rotina. Fui egoísta.
Eu lamento, tia, lamento muito.
Você só precisava de amor. Só de amor. 
Agora as lágrimas caem mesmo.
A coisa mais estranha foi apagar seu perfil no Orkut. Eu não queria fazer isso, foi difícil, mas eu tinha que fazer, claro. Parecia que eu estava te apagando. E depois ficou aquele lugar vazio entre os meus amigos, foi estranho demais.
São muitas lembranças, de todo tipo. 
Momentos de alegria, você por vezes sabia como fazer a gente dar risadas, rs, é bom lembrar desses momentos.
O que me alivia é que Jesus está cuidando muito bem de você, com todo carinho, sei disso.
E que agora você está num lugar melhor.
Um lugar mais bonito, com mais paz, mais feliz. 
Tenho certeza.
Um grande beijo tia.
Feliz aniversário.




P.S: A forma com que escrevi este texto entendo ter sido influenciada ou, como diriam alguns, inspirada, pelos textos da Larissa Miranda, em especial o texto "Da sessão: cartas #2" que vocês podem ler em http://maisamorporfavor.blogspot.com/2010/10/da-sessao-cartas-2.htmlA Larissa é uma blogueira gaúcha de 19 anos, eu adoro os textos dela, sempre impregnados de grande emoção. Não deixem de visitar o blog da Larissa, vão gostar.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Luz do homem, luz de Deus



Foto: Tatiana Girotto


Saí de São Paulo em direção a Bauru, no fim da tarde. Antes de anoitecer, na estrada, quando a quase noite estava para deixar de ser, e o claro azul se transformava em breu, vi que esta noite seria sem nuvens, e ansiei pela lua como companheira de viagem. Eis que a noite veio, e eu no meio do caminho, mas nada da lua. Aos poucos pude ver uma e outra estrela aparecer. Então eu, sozinho, comecei a procurar estrelas. Aos poucos elas foram aparecendo. Eu dirigia e olhava, para a estrada e o céu, a estrada e o céu. Castelo Branco totalmente às escuras, mas ainda com grande influência das luzes da cidade, e eu comecei a brincar de baixar o farol. Eu apaguei completamente o farol várias vezes. A escuridão que fica é a coisa mais linda. Pode parecer perigoso, mas eu fazia apenas por instantes e acendia os faróis novamente. Lindo. Não sei bem explicar a sensação de ver o nada à frente do carro.
A influência das luzes da cidade, luzes do homem, aos poucos foi enfraquecendo, e as estrelas começaram a ficar mais aparentes, lindas luzes de Deus. Mais e mais as estrelas ficavam mais evidentes, mas ainda assim um tanto pálidas, ao menos no início do caminho. Mas conforme fui distanciando da capital o céu passou a ter menos influência das luzes da cidade, começaram a rarear as construções à beira da estrada, e as luzes divinas foram ficando mais marcantes.
É incrível como as luzes do homem, quaisquer luzes humanas, seja uma lâmpada num poste solitário, seja um automóvel à distância, é incrível como estas luzes do homem podem ofuscar as luzes de Deus. As estrelas somem. Deve ser proposital isso, Deus avisando que só fazemos bobagens, sei lá, ou que não conseguimos reproduzir nem algo próximo, nem um mínimo de sua obra de amor. Devia ser proibido ao homem acender aquelas luzes na estrada, neste dia ao menos isso deveria ter sido proibido, ofuscar as luzes de Deus deve ser um pecado daqueles. Rs.
Em dado momento a estrada ficou vazia, sem luzes dos carros para atrapalhar, e coincidentemente não havia construções próximas. Apaguei os faróis, breu completo, mas a visão do céu através do vidro do carro era complicada, pensei em parar o carro, abrir a janela... mas logo apareceu novamente o homem e sua luz imperfeita e intrusa e ofuscou tudo de novo, uma carreta ousou iluminar a estrada. E mais uma carreta. E mais outra. E voltaram as construções à beira da estrada, iluminadas. Fiquei procurando as estrelas, novamente ofuscadas pelas luzes humanas. Carros que passavam, caminhões. E eu andando mais devagar, buscando um momento sem interferência das luzes humanas, e assim tentei por um bom trecho da viagem. Em certo momento parei num posto de combustível, em vão. Não adiantava, tudo iluminado, as luzes humanas atrapalhavam. Saí e voltei à estrada.
E eis que então, depois de mais algum tempo, aconteceu. Em um trecho da estrada não havia luzes de casas para atrapalhar, nenhuma construção à beira da estrada, nenhuma luz perdida até o horizonte, nenhum brilho de cidade ao longe, perfeito. Encontrei um local fácil para parar o carro, e parei. Encostei o carro no acostamento, liguei o alerta. À minha frente, a poucos metros, uma placa apontava a entrada para Barra bonita e uma outra cidade que não me lembro o nome. Alguns carros ainda passavam, luzes do homem que ainda persistiam, mas seria questão de tempo. E então após alguns minutos não havia mais nenhum carro, nem um, para atrapalhar.
Parado no acostamento, desliguei os faróis e o alerta do carro. Escuridão completa.
Saí do carro.
Olhei para o céu, observei a imensidão.
Por mais que eu já esperasse, ainda assim me surpreendi.
Que espetáculo, que espetáculo.
Luzes de Deus, luzes de Deus, incontáveis, infinitas, beleza indescritível. Profusão de luzes divinas a me inundar os sentidos.
Sei que por toda a viagem Deus me acompanhou, me guardou, me protegeu, olhou por mim.
Mas neste momento, aí fui eu que vi...
...vi Deus
Eu e o céu. Eu e Deus.
À beira da Castelo Branco, fiquei parado, olhando.
O céu da minha infância, aquele que eu havia esquecido, voltou lá do fundo da memória. Que lindo, que lindo, maravilhoso espetáculo. Já havia visto isso antes, somente tinha esquecido que tinha visto. Mas neste dia teve um significado especial.
Fiquei assim por alguns minutos...
E então apareceu um carro ao horizonte. 

E outro. 
E mais outro.
Em dado momento os carros ficaram bem freqüentes, e então resolvi sair daquele local, pois a luz do homem não me deixou mais em paz.
Lembro que liguei os faróis e o motor, entrei rápido com o carro pela estrada, e gritei comigo mesmo SER HUMANO, O QUE HÁ COM VOCÊ? OLHE PARA ESTE CÉU!




P.S.: Essa viagem aconteceu em maio de 2009.






domingo, 29 de maio de 2011

Campeã




Minha filha linda, a minha Mel, passou, aos 4 anos de idade, por uma delicada cirurgia, uma cirurgia cardíaca. É que ela nasceu com um problema no coração que foi diagnosticado desde os primeiros dias de vida. Não apresentava sintomas aparentes mas exigia acompanhamento médico periódico, e como ela estava sempre ótima eu acreditava que continuaria a vida sem necessitar qualquer intervenção. Mas aí em uma consulta de rotina a cardiologista disse que uma cirurgia seria necessária. 

Imaginem. A família entrou numa espécie de colapso coletivo. Ao menos eu entrei, em silencioso colapso. Consultamos diversos especialistas na tentativa de uma opinião diferente, médicos de diferentes hospitais, de São Paulo, do Rio. Todos concordaram com o diagnóstico inicial, uma unanimidade. Os médicos diziam ser uma das mais simples e comuns cirurgias cardíacas. Eu tentava e até conseguia em parte compreender a argumentação estatística dos médicos, mas tratava-se da minha filhinha, de apenas 4 anos, e diante disso qualquer tentativa de pensamento racional é impossível.

Ansiedade total, preocupação, escolha de hospital, de médicos, acerto dos detalhes finais, e enfim chegou o dia da cirurgia. Lembro de um momento especial, a entrada da minha filha no centro cirúrgico. Já sentindo os primeiros efeitos do anestésico a Mel começou a rir, a dar gargalhadas mesmo. Ela nos olhava e ria. Foi embora nos braços do enfermeiro dando risadas e adormecendo aos poucos. Essa foi a última visão que tivemos dela antes da cirurgia. Ela foi e nós ficamos. Ela sorrindo, nós chorando. Deixamos o amor de nossas vidas nas mãos daquelas pessoas, médicos, enfermeiras. Nas mãos de Deus.

A espera foi muito difícil, cerca de sete horas de cirurgia, longas horas, emoção profunda, peitos abertos, de todos nós. No fim deu tudo certo, a cirurgia foi um sucesso, mas não sem muita luta. Luta intensa da guerreira menina.

Minha filha e os atletas tem algo em comum. Vemos nos jogos olímpicos os competidores e seus dificílimos desafios, treinamentos sem fim, dedicação, esforço, sofrimento, dificuldades várias. Mas ao alcançar êxito na competição máxima a emoção, o choro, a festa, e a recompensa. A vitória, representada pela medalha colocada no peito. A medalha é a prova da vitória, exposta com orgulho no peito do atleta.

Naqueles dias que agora recordo, quando minha filhinha passou pela cirurgia, aconteceu também assim, como nas Olimpíadas. Na competição de minha filha teve de tudo, superação, esforço, ansiedade, lágrimas, e muita torcida.

Há vencedores que apresentam suas medalhas de uma forma toda especial, é o caso de minha filha. Até hoje ela leva no peito a prova da sua luta, uma suave linha, tênue marca, quase não se nota, mas está lá, no peito da minha atleta. Esta cicatriz é a sua medalha. Sim, pois minha filha venceu, chegou em primeiro lugar, ela foi campeã. Já se foram quase dez anos e graças à cirurgia minha linda está curada, totalmente saudável. E sabe quem colocou esta linda medalha no peito da minha Mel? Foi Deus.

Seres iluminados, todos, todas as pessoas que nos atenderam e que cuidaram da minha Mel. Médicos, enfermeiros, cirurgiões, demais profissionais, pessoas do bem, especiais, abençoadas.

Outro dia aconteceu algo interessante. Na ocasião da cirurgia da Mel diversas pessoas, amigos, familiares, que foram visitá-la no hospital, deixaram recados para ela em pequenos bilhetes, inclusive eu deixei um. Eu nem lembrava bem do texto deste bilhete que eu deixei, e aí há pouco tempo eu encontrei este recado.

“Querida Mel.
Eu realmente não esperava que com apenas

4 anos você pudesse me ensinar tanto !
Eu te amo, e lhe desejo tudo de bom, saúde,

e uma vida longa e doce como você.
Papai.”


Menina, guerreira, atleta, pequenina, gigante, vencedora, campeã.
Minha Mel, o grande amor da minha vida.
Tenho muito orgulho de ser o pai dela.


domingo, 8 de maio de 2011

Ei, você



Ei, você.
Você aí na minha frente.
Porque você age desta forma?
Não sabe que é preciso fazer o bem?
Então porque continua assim, errando tanto?
Sim, você aí, estou falando com você mesmo.

O que? Você não fez nada errado? Não fez, tem certeza? 
Não foi muito errado? Como assim não muito errado?
Ah, todos fazem? É errado, mas todos fazem? E isso torna o que fez correto? Ou você quer dizer que, já que todos erram, pode errar também? Não acha que seria melhor não errar?
Porque você insiste nisso, em pensar só em si mesmo?
Ah, então você pensa nos outros, é isso o que acha?
E aquilo que você fez outro dia mesmo, naquele dia você estava pensando nos outros? Esqueceu do que fez naquele dia? Lembrou? Ah, entendi, era uma pessoa que você nem conhecia, mas o fato de não conhecer a pessoa que prejudicou torna menos errado o que você fez?
Está querendo enganar a quem?
Pode até enganar outras pessoas, meu caro, mas não a você mesmo.
E certamente não pode enganar a Deus.
Fazer o bem, é o caminho, o único, e você sabe disso.
Sim, errar é humano, ok, mas acertar também é, e meu caro, saiba você, temos escolhas. Fazer o certo ou o errado é uma questão de escolhas, de escolher o certo ou escolher o errado. Não há meio termo.
Ah, tem coisas que são difíceis de avaliar, se são certas ou erradas?
Por vezes você fica na dúvida?
É fácil tirar a dúvida.
Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você.
É simples, coloque-se no lugar da outra pessoa e terá a resposta. Foi Jesus quem disse isso. A resposta está em cada um de nós, a consciência do que é certo ou errado está em cada um de nós. Só precisamos dar ouvidos a ela.
Sim, e eu sei que você sabe muito bem disso.
Você aí, porque está desviando o olhar? Olhe pra mim.
Você sabe muito bem de tudo isso, então continua errando porque? Porque?
Está com medo de me encarar, de olhar nos meus olhos? Tem vergonha do que tem feito?
Há pessoas que dependem de você.
Das suas ações, do seu exemplo.
Você precisa ser uma pessoa de caráter.
Você precisa honrar os ensinamentos e o bom exemplo dados por seus pais.
Você precisa ser um bom exemplo para sua filha.
Isso é o mais importante de tudo.
Mais que tudo.
Que tudo.
Após momentos de reflexão, a figura em minha frente, aos poucos, cria coragem e ergue a cabeça.
Levanta o olhar.
Olho em seus olhos, nos meus próprios olhos, no reflexo, no espelho.
40 anos, humano, falível, mas com a consciência plena de que tenho escolhas.
E que devo optar pelas corretas.
Se eu errei, a partir de agora acertarei, prometo a mim mesmo. Se acontecer o erro será na busca plena do acerto, sem hipocrisia, sem enganos.
Tenho a chance, a cada dia, a cada instante, de acertar.
De fazer o correto.
Que eu faça então a partir deste exato momento.
Deus espera isso de mim.
De todos nós.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sorria


Ela tinha um sorriso lindo. Jovem, aparentava no máximo uns 18 anos. Muito simpática, em meio a sorrisos atendia a um rapaz na minha frente. Eu era o próximo na fila, aguardando para pagar meu café em uma loja de conveniência. Eles conversaram um pouco, papo animado. O rapaz foi embora, chegou minha vez. Quando ela começou a me atender fez uma expressão séria, parou de sorrir. Eu olhei para ela tentando entender o motivo, e aí resolvi pedir para mim também aquele seu sorriso. "Mas porque você parou de sorrir na minha vez? Sorria para mim também". Ela estranhou um pouco, mas logo respondeu, "É que achei que o senhor estava bravo, fez uma cara tão séria...". Pois é, nem sei quais preocupações passavam pela minha cabeça, mas o fato é que com minha expressão sisuda apaguei o sorriso da menina. Eu que reivindicava a simpatia para mim não oferecia o mesmo em troca. Claro que depois desta observação dela eu acabei ficando com a expressão mais leve e comecei a sorrir. E aí sim pude merecer receber em troca, enfim, o lindo sorriso da menina. Sorria!


domingo, 10 de abril de 2011

Tem que estar perto


Foto: Mario Marinho


“...eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos ! A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure...” 

O texto acima, atribuído a Vinícius de Moraes, é muito comum na internet. Tentei uma confirmação da autoria, não consegui, e descobri que este trecho é parte de um texto maior, com um contexto mais amplo, que vocês podem encontrar em http://viniciusdemoraes.multiply.com/journal/item/2/Amigos

Não sei ao certo se o trecho acima é ou não do Vinícius, mas independente disso permitam-me discordar dele. Pessoas queridas que “basta saber que existem”? Ah, por favor.

Vinícius de Moraes faleceu com sessenta e poucos anos, sentiu-se mal no banheiro de sua casa e morreu algum tempo depois. Vai saber o que se passou em seu íntimo naqueles instantes, vendo a morte se aproximar. Talvez uma imensa saudade de um monte de gente que ele amava demais mas que há tempos não via. Quem sabe quantas pessoas queridas
 ele gostaria de encontrar naqueles últimos momentos, para estar junto delas, poder tocá-las mais uma vez, caso ele tivesse mais tempo... Senti pena do Vinícius ao imaginar isso.

Há uma certa troca de energia, algo assim, quando estamos perto de pessoas que gostamos. Quando estou com meus pais, meus irmãos, amigos, quando estou com pessoas que eu gosto é muito bom. É ótimo ficar perto de quem eu gosto.

Quando encontro minha filha sinto-me muito bem, bem demais. Nos momentos em que estou com ela parece acontecer em mim algum tipo de... cura. Aliás ela está longe, viajando, não vejo a hora dela chegar.

Na minha opinião não basta gostar, tem que estar perto. Preciso disso. Não precisa nem falar nada, é só estar perto.

Não vejo a hora de estar pertinho de minha linda. Muitas saudades dela.

Bem, paro por aqui, tenho que sair para encontrar a turma. Para jogar conversa fora, passar bons momentos, comer alguma coisa, e, claro, rir bastante. Rsrs. Pessoal, guarda um pedaço de pizza aí pra mim! Fui!






segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um passarinho


Foto: Waldir C. Marinho

Um passarinho na sacada de meu apartamento, de madrugada, acordei lá pelas duas da manhã e o encontrei. Chovia. 
Ele estava na beirada da varanda, voltado para fora, de costas para mim. Estava bem na beiradinha, próximo ao precipício, no sétimo andar.
Não sei bem se ele estava doente, se estava dormindo, ou só se abrigando da chuva. Creio que ele estava com frio. Fiquei com vontade de ajudá-lo, mas pensei, será que ele precisava mesmo de ajuda?
Fiquei com esta dúvida, se ajudava o passarinho ou não.
Tive receio de, ao tentar ajudar o pássaro, na verdade o prejudicar. Sim porque, na posição em que estava, com a minha aproximação o passarinho poderia se assustar e tentar voar para fora. E se estivesse doente talvez não conseguisse voar direito, ainda mais no meio daquela chuva toda. Imaginem, do sétimo andar.
Há momentos em que isso acontece, fico na dúvida se ajudo ou não, se vai ser ou não melhor ajudar. Tentando ajudar posso atrapalhar, quem sabe seja melhor para o suposto necessitado agir por si próprio, e pela própria atitude vencer. Mas claro que nestes casos há sempre a chance de errar por omissão. 

Na dúvida não fiz nada, deixei o passarinho com ele mesmo. Sim, tive certo receio do erro, mas ainda assim nada fiz. O passarinho parecia estar estável e resolvi aguardar até o dia raiar. Com o dia claro, se eu percebesse que ele estava realmente com problemas, aí tentaria alguma coisa. Tudo seria mais fácil com a claridade do dia. Voltei a dormir então.
Só que pela manhã, quando acordei, o passarinho não estava mais na varanda.
Teria ele alçado vôo? Teria vencido ou não? Será que foi realmente melhor eu ter deixado por sua própria conta resolver a situação? Ou foi diferente?

Ao imaginá-lo em necessidade, terei eu errado em não ajudar?
Estou sem esta resposta até hoje. 

Acho que é melhor ajudar quando temos vontade, e enquanto temos a chance, não ficar pensando muito. Ir lá ajudar a quem precisa e pronto.
Espero que ele seja um destes passarinhos que agora mesmo vejo, brincando de voar, em meio a este lindo céu azul.